Gerenciamento de Projetos e Contratos#

Objetivo#

Apresentar os fundamentos do gerenciamento de projetos e contratos, capacitando os estudantes a planejar, estruturar e avaliar projetos. A disciplina também aborda novas abordagens tecnológicas aplicadas ao gerenciamento de projetos, incluindo BIM (Building Information Modeling), Process Mining, Inteligência Artificial e tendências contemporâneas de gestão de projetos.


Metodologia#

A disciplina será conduzida por meio de aprendizagem ativa baseada em projeto. A turma será dividida em grupos e todos participarão do desenvolvimento de um único projeto coletivo ao longo da disciplina. Cada grupo será responsável por uma área do gerenciamento do projeto, contribuindo para a construção progressiva do projeto.

A disciplina será organizada em três ciclos de avaliação que refletem o ciclo de vida de um projeto. Nos dois primeiros ciclos ocorrerão seminários técnicos apresentados pelos grupos, acompanhados da entrega de artefatos do projeto e de uma apresentação geral da equipe. Na terceira avaliação ocorrerá a consolidação final do projeto, incluindo a avaliação final, a entrega final e a apresentação geral de encerramento.


Avaliação#

A avaliação será composta por três ciclos.

Na Avaliação 1, o seminário do grupo corresponde a 30% da nota, os entregáveis do projeto correspondem a 30% e a apresentação geral da abertura do projeto corresponde a 40%.

Na Avaliação 2, o seminário do grupo corresponde a 30% da nota, os entregáveis do projeto correspondem a 30% e a apresentação geral de status do projeto corresponde a 40%.

Na Avaliação 3, a avaliação final de consolidação corresponde a 50% da nota e a apresentação final do projeto corresponde aos outros 50%.


Conteúdo Programático#

O conteúdo será desenvolvido por meio de seminários apresentados pelos grupos, articulados com o desenvolvimento do projeto coletivo da disciplina. Cada avaliação termina com a apresentação de toda a equipe.


Avaliação 1 — Estruturação e Iniciação do Projeto#

Grupo 1: Fundamentos do gerenciamento de projetos, sistemas de entrega de valor, princípios de gerenciamento e ciclo de vida do projeto. Introdução às transformações digitais, destacando BIM, mineração de processos e inteligência artificial como suporte à tomada de decisão desde o início do projeto.

Grupo 2: Definição do problema, objetivos estratégicos e escopo inicial do projeto. Identificação e análise de stakeholders, utilizando matrizes de poder e interesse e estratégias de engajamento. Introdução a dados e plataformas digitais para apoiar a gestão das partes interessadas.

Grupo 3: Estruturação inicial do trabalho do projeto, incluindo decomposição das entregas, Estrutura Analítica do Projeto (EAP) e modelagem preliminar de processos. Introdução ao BIM como ambiente digital do projeto, evoluindo da modelagem geométrica (3D) para planejamento integrado de dados.

Grupo 4: Identificação inicial de riscos e incertezas do projeto, com análise qualitativa de probabilidade e impacto e definição de estratégias preliminares de resposta. Aplicação de análise de dados e técnicas de IA para apoiar a identificação e classificação de riscos.

Grupo 5: Estrutura organizacional do projeto, governança e aspectos iniciais de aquisições e contratos. Identificação de recursos e estimativas preliminares de custos, considerando modelos digitais e bases de dados como suporte às decisões iniciais.

Apresentação geral da equipe: Integração de escopo, stakeholders, atividades, riscos e custos — equivalente à iniciação formal do projeto.

Orientações baseadas nas apresentações dos grupos

A apresentação geral deve evoluir de uma descrição do projeto para uma análise crítica comparativa entre a realidade observada e a proposta da equipe. Tomando como referência a forma como as cinco escolas foram efetivamente conduzidas, a equipe deve explicitar o que faria de forma diferente para aumentar a assertividade, a eficiência e a entrega de valor.

Essa comparação precisa ser objetiva e fundamentada. É necessário evidenciar, por exemplo:

  • atrasos decorrentes de falhas de coordenação

  • decisões pouco orientadas a valor

  • ausência de integração entre áreas

  • baixa utilização de dados na tomada de decisão

A partir dessa leitura, a equipe deve se posicionar claramente, no formato: “Dado esse cenário real, nossa proposta faria diferente em X, Y e Z, por estes motivos.”

Sem esse posicionamento, a apresentação permanece descritiva e não demonstra evolução em relação à prática existente.


Outro ponto central é que essa análise comparativa deve estar alinhada aos princípios do tema do semestre e às tecnologias emergentes, conforme discutido no IPG (https://doi.org/10.34117/bjdv12n3-042). Em especial:

  • Foco em valor: decisões justificadas pelo impacto em alunos, professores e operação das escolas, e não apenas por custo ou facilidade

  • Tomada de decisão baseada em dados: uso de evidências, ainda que simplificadas (custos, atrasos, padrões)

  • Integração sistêmica: explicitar como escopo, riscos, custos e stakeholders se influenciam mutuamente

  • Adaptabilidade: reconhecer incertezas e indicar como o projeto se ajustaria dinamicamente

  • Transparência e rastreabilidade: deixar claro por que cada decisão foi tomada

Esses princípios não devem aparecer apenas como conceito, mas embutidos nas decisões apresentadas.


Em relação à forma, recomenda-se manter uma organização acadêmica consistente, estruturando a apresentação em:

  • fundamentos

  • metodologia

  • proposta da equipe

  • aplicação ao estudo de caso

  • conclusões

Esse encadeamento favorece a clareza e a transição entre teoria e prática. No entanto, é necessário avançar nesta fase: a aplicação deve ter mais ênfase que o conceito, com foco nas decisões concretas para as escolas.


Além da apresentação, é obrigatória a evidência dos entregáveis da fase de iniciação e planejamento preliminar como um todo, devidamente conectados ao estudo de caso. Isso inclui, de forma integrada:

  • definição de escopo inicial

  • identificação e análise de stakeholders

  • estrutura inicial de atividades

  • identificação de riscos

  • estimativas preliminares de custos

  • diretrizes de governança

Nesse conjunto, devem também ser apresentados instrumentos que qualificam a análise:

  • QFD (Desdobramento da Função Qualidade): deve demonstrar como as necessidades dos stakeholders (alunos, professores, gestores) foram traduzidas em requisitos técnicos e prioridades de intervenção nas escolas. Não deve ser genérico; precisa refletir o contexto real das cinco escolas

  • PERT/CPM: deve representar a lógica das atividades do projeto, evidenciando sequenciamento, dependências, caminho crítico e possíveis impactos de atrasos. Deve estar coerente com o escopo definido e com a simultaneidade das intervenções nas escolas

É fundamental destacar que esses elementos não são entregáveis isolados nem anexos formais, mas parte de um sistema integrado de iniciação. Devem aparecer articulados na análise e utilizados como suporte às decisões apresentadas pela equipe.


Outro ponto importante refere-se ao uso de métodos, ferramentas e tecnologias apresentados ao longo das atividades (como métodos ágeis, Scrum, MSP, Tableau, IA, entre outros). Na apresentação geral, a equipe deve deixar explícito:

  • o que foi selecionado para uso no projeto

  • por que foi escolhido, considerando o contexto das escolas

  • como será utilizado ao longo do projeto, incluindo execução e controle

Não é suficiente citar ferramentas ou métodos. É necessário demonstrar uso aplicado e coerente com a governança do projeto.


Alguns pontos observados ao longo das apresentações:

  • houve lacuna na utilização de exemplos, o que compromete a aplicação prática

  • o uso transversal de BIM é positivo e deve ser mantido e ampliado como suporte à decisão

  • a adoção de uma organização acadêmica consistente (conceito → metodologia → aplicação) favorece a clareza e deve ser mantida


Por fim, a apresentação deve deixar claro que a equipe não está apenas reproduzindo um modelo teórico, mas propondo uma forma mais inteligente e atual de gerenciar projetos. Isso implica reconhecer falhas na realidade observada e demonstrar, de forma objetiva, como uma abordagem integrada, orientada pelos princípios do IPG, pode reduzir essas falhas e melhorar os resultados.

Em síntese:
comparar, criticar e propor com base em valor, dados e integração.

Avaliação 2 — Planejamento Integrado, Processos e Monitoramento#

Grupo 1: Planejamento do cronograma, incluindo identificação de atividades, dependências, estimativas de duração e análise do caminho crítico. Integração com BIM nas dimensões 3D (modelagem), 4D (tempo) e 5D (custos), explorando gestão de ativos e sustentabilidade.

Grupo 2: Planejamento e controle de custos, incluindo estimativas detalhadas, orçamento e mecanismos de controle financeiro. Integração de custos com BIM, análise de quantitativos e simulação de cenários de investimento.

Grupo 3: Gestão da qualidade, comunicação e colaboração, abordando ambientes digitais e integração de informações entre equipes. Discussão sobre plataformas digitais para gestão integrada do projeto.

Grupo 4: Gestão avançada de riscos e desempenho, incluindo análise quantitativa de riscos, simulação de cenários e apoio à decisão. Uso de IA para previsão de riscos, identificação de padrões e suporte ao monitoramento de desempenho.

Grupo 5: Mineração de processos aplicada ao projeto. Etapas do process mining: extração de logs de eventos, descoberta de processos, verificação de conformidade, análise de desempenho e identificação de oportunidades de melhoria nos fluxos de trabalho. Integração com IA para otimização de processos.

Apresentação geral da equipe: Status do projeto com integração do cronograma, custos, riscos, processos e tecnologias digitais.


Avaliação 3 — Consolidação do Projeto#

Integração completa das áreas de conhecimento, consolidação do projeto desenvolvido ao longo da disciplina e apresentação final da equipe. Avaliação, análise dos resultados, documentação do projeto, lições aprendidas e encerramento formal do projeto.


Recursos#

Serão utilizados recursos digitais, apresentações, artigos científicos, ferramentas de gestão de projetos e materiais disponibilizados no ambiente virtual da disciplina. Também poderão ser utilizados softwares de apoio à gestão de projetos e ferramentas digitais de colaboração.


Referências#

Bibliografia Básica#

LIMMER, Carl Vicent. Planejamento, orçamento e controle de projetos e obras. Livros Técnicos e Científicos Editora. Rio de Janeiro.

DINSMORE, Paul Campbell. Gerência de Programas e Projetos. Editora Pini. São Paulo.

CIMINO, Remo. Planejar para construir. Editora Pini. São Paulo.

AZEREDO, Hélio Alves de. O edifício até sua cobertura. Editora Edgard Blucher. São Paulo.

NETTO, Antônio Vieira. Como gerenciar construções. Editora Pini. São Paulo.

Referências Complementares#

Project Management Institute. A Guide to the Project Management Body of Knowledge (PMBOK® Guide). 7ª edição. PMI.

Project Management Institute. The Standard for Project Management. PMI.

Kerzner, Harold. Project Management: A Systems Approach to Planning, Scheduling, and Controlling. Wiley.

UniRobótica. Materiais de apoio e conteúdos de gerenciamento de projetos.
https://gpc.unirobotica.com.br/

UnoRobótica. Referências de apoio ao estudo de gerenciamento de projetos.
https://gpc.unirobotica.com.br/notebooks/referencias.html

Dumas, Marlon; La Rosa, Marcello; Mendling, Jan; Reijers, Hajo. Fundamentals of Business Process Management. Springer.

van der Aalst, Wil. Process Mining: Data Science in Action. Springer.

Eastman, Chuck; Teicholz, Paul; Sacks, Rafael; Liston, Kathleen. BIM Handbook: A Guide to Building Information Modeling. Wiley.

Project Management Institute. Pulse of the Profession Reports. PMI.