Ações de correção para situações de atenção#

Abaixo, apresentamos um exemplo ilustrativo abordando a situação 1 (pontos fora dos limites de controle), incluindo explicações, ferramentas de análise como Diagrama de Causa e Efeito, e a aplicação das técnicas de CEP e PMBOK para o gerenciamento e resolução do problema.

Situação 1: Pontos Fora do Limite de Controle#

Contexto:#

Imagine que estamos monitorando a resistência do concreto em uma obra da construção civil. A resistência ideal do concreto é definida como 30 MPa, e o desvio padrão esperado é 2 MPa. Durante os testes diários, alguns pontos de medição começam a exceder os limites superiores ou inferiores de controle, indicando um possível problema no processo de produção do concreto.

Exemplo de Código - Situação 1: Este código cria um gráfico que mostra a resistência do concreto em 30 amostras, com alguns pontos fora dos limites de controle definidos.

import numpy as np
import matplotlib.pyplot as plt
import pandas as pd

# =========================
# PARÂMETROS
# =========================

np.random.seed(42)  # Garante reprodutibilidade

n_amostras = 30
media = 30
desvio_padrao = 2

LC_superior = media + 3 * desvio_padrao
LC_inferior = media - 3 * desvio_padrao

# =========================
# DADOS SOB CONTROLE
# =========================

dados = np.random.normal(media, desvio_padrao, n_amostras)

# =========================
# CAUSAS ESPECIAIS ALEATÓRIAS
# =========================

prob_fora = 0.1
n_fora = max(1, int(prob_fora * n_amostras))

indices_fora = np.random.choice(n_amostras, size=n_fora, replace=False)

for i in indices_fora:
    if np.random.rand() > 0.5:
        dados[i] = np.random.normal(LC_superior + 2, 1)
    else:
        dados[i] = np.random.normal(LC_inferior - 2, 1)

# =========================
# DATAFRAME
# =========================

df = pd.DataFrame({
    'Dia': range(1, n_amostras + 1),
    'Resistencia': dados
})

# =========================
# DETECÇÃO DE FORA DE CONTROLE
# =========================

fora_controle = (df['Resistencia'] > LC_superior) | (df['Resistencia'] < LC_inferior)

# =========================
# GRÁFICO
# =========================

plt.figure(figsize=(10, 6))

# Linha do processo (pontos normais)
plt.plot(df['Dia'], df['Resistencia'], marker='o', label='Processo')

# Linhas de controle
plt.axhline(media, linestyle='--', label=f'Média ({media})')
plt.axhline(LC_superior, linestyle='--', label='LSC')
plt.axhline(LC_inferior, linestyle='--', label='LIC')

# =========================
# DESTAQUE: FORA DE CONTROLE (VERMELHO COM "X")
# =========================

plt.scatter(
    df['Dia'][fora_controle],              # Eixo X (dias fora de controle)
    df['Resistencia'][fora_controle],      # Eixo Y (valores fora de controle)
    color='red',                           # Cor vermelha
    marker='x',                            # Marcador em forma de X
    s=100,                                 # Tamanho maior para destaque
    linewidths=2,                          # Espessura do "X"
    zorder=5,                              # Fica na frente dos outros pontos
    label='Fora de Controle'
)

# =========================
# FINALIZAÇÃO
# =========================

plt.title('CEP - Resistência do Concreto')
plt.xlabel('Dia')
plt.ylabel('MPa')
plt.legend()
plt.grid(True)

plt.show()
../../../_images/1e9046d993e2fe49c2a94a0c16f9477313ab2588731da995aabb5d72bbd7b3f3.png

Gráfico Gerado:

  • O gráfico mostra a evolução da resistência do concreto ao longo de 30 dias. Os limites de controle são definidos pela média ± 3 desvios padrão (±3σ).

  • Os pontos destacados em vermelho, com marcador “X”, representam observações fora de controle.

  • Esses pontos estão associados a causas especiais simuladas no processo, sendo gerados de forma aleatória, tanto em posição (dia) quanto em magnitude (valor).

  • Valores acima do limite superior indicam possíveis desvios como excesso de dosagem, enquanto valores abaixo do limite inferior podem indicar falhas no processo, como problemas de mistura ou cura.

O que o Gerente de Projeto Deve Fazer?#

  1. Análise de Dados

    • O gerente deve analisar a distribuição dos dados e verificar se a variabilidade observada é compatível com o comportamento esperado do processo.

    • Os pontos destacados fora dos limites de controle (±3σ) devem ser avaliados como possíveis indícios de causas especiais, e não apenas variação natural.

    • Limites de Controle: São definidos pela média do processo ± 3 desvios padrão. Pontos que ultrapassam esses limites indicam que o processo pode estar fora de controle estatístico, exigindo investigação.

  2. Causas Possíveis

    • Causas relacionadas ao processo:

      • Controle inadequado da mistura (proporção de materiais, água/cimento).

      • Problemas no processo de cura do concreto.

      • Variação na qualidade dos insumos (cimento, agregados, água).

    • Causas relacionadas à medição:

      • Falha ou descalibração dos equipamentos de ensaio.

      • Procedimento de ensaio inadequado.

    • Causas humanas:

      • Erro operacional na dosagem ou execução.

      • Falhas no registro ou interpretação dos dados.

  1. Análise Estruturada das Causas

    • A partir do gráfico de CEP apresentado anteriormente, os pontos fora de controle (destacados em vermelho com marcador “X”) indicam a presença de causas especiais no processo de produção do concreto.

    • Como essas ocorrências são simuladas de forma aleatória, o objetivo não é identificar um evento específico, mas sim estruturar a análise das possíveis origens dessas variações.

    • O Diagrama de Causa e Efeito (Ishikawa) permite organizar essas causas em categorias principais, facilitando a investigação.

    Interpretação do Diagrama no Contexto do Gráfico:

    • Erro Humano

      • Dosagem incorreta dos materiais.

      • Falhas operacionais durante mistura ou moldagem.

      • Registro incorreto dos resultados.

    • Equipamento de Medição

      • Prensa de ensaio descalibrada.

      • Procedimentos inconsistentes de ensaio.

      • Falhas na leitura dos resultados.

    • Mistura de Concreto

      • Relação água/cimento inadequada.

      • Variação nos agregados.

      • Tempo de mistura insuficiente.

    • Controle de Qualidade

      • Falta de padronização dos procedimentos.

      • Ausência de inspeções sistemáticas.

      • Não rastreabilidade dos lotes.

    • O efeito analisado, representado na extremidade direita do diagrama, é a variação da resistência do concreto, incluindo valores fora dos limites de controle observados no gráfico.

  2. Integração CEP + Ishikawa

    • O gráfico de controle responde à pergunta:
      “O processo está sob controle?”

    • O diagrama de Ishikawa responde à pergunta:
      “Por que o processo saiu de controle?”

    • Dessa forma, o gerente de projeto deve:

      • Utilizar o CEP para detecção de anomalias.

      • Utilizar o Ishikawa para investigação das causas.

      • Priorizar ações corretivas com base nas causas mais prováveis.

  3. Ação Gerencial Esperada

    • Investigar imediatamente os pontos fora de controle identificados.

    • Verificar histórico de produção nos dias correspondentes.

    • Auditar procedimentos de mistura, cura e ensaio.

    • Implementar ações corretivas e monitorar o processo com novos ciclos de CEP.

    • O objetivo final é retornar o processo a um estado de controle estatístico, reduzindo a ocorrência de causas especiais.

import matplotlib.pyplot as plt

def plot_ishikawa_optimized():
    fig, ax = plt.subplots(figsize=(14, 8))

    # =========================
    # LINHA CENTRAL
    # =========================
    ax.plot([-12, 0], [0, 0], lw=2)
    ax.arrow(0, 0, 0.8, 0, head_width=0.25, head_length=0.4)

    # =========================
    # POSIÇÕES MELHOR DISTRIBUÍDAS
    # =========================

    causas = [
        {"nome": "Equipamento de Medição", "x": -10, "dy": 2},
        {"nome": "Erro Humano", "x": -6, "dy": 2},
        {"nome": "Mistura de Concreto", "x": -6, "dy": -2},
        {"nome": "Controle de Qualidade", "x": -10, "dy": -2},
    ]

    # =========================
    # DESENHO DAS ESPINHAS
    # =========================

    for c in causas:
        x0, y0 = c["x"], 0
        x1, y1 = x0 + 2, c["dy"]

        ax.plot([x0, x1], [y0, y1], lw=2)

        # =========================
        # TÍTULO DA CAUSA (AFSTADO DA LINHA)
        # =========================
        offset = 0.6 if y1 > 0 else -0.6

        ax.text(
            x1,
            y1 + offset,
            c["nome"],
            fontsize=12,
            ha='center',
            weight='bold'
        )

        # =========================
        # SUBCAUSAS (SEM SOBREPOSIÇÃO)
        # =========================

        if c["nome"] == "Erro Humano":
            subs = ["Dosagem incorreta", "Falha operacional"]

        elif c["nome"] == "Equipamento de Medição":
            subs = ["Erro de leitura", "Descalibração"]

        elif c["nome"] == "Mistura de Concreto":
            subs = ["Água/cimento", "Mistura inadequada"]

        else:
            subs = ["Falta inspeção", "Sem padronização"]

        # Posicionamento fixo vertical (mais limpo que proporcional)
        for i, s in enumerate(subs):
            desloc = 0.8 + i * 0.4

            ys = y1 - desloc if y1 > 0 else y1 + desloc

            ax.text(
                x1,
                ys,
                f"- {s}",
                fontsize=10,
                ha='center'
            )

    # =========================
    # EFEITO FINAL
    # =========================

    ax.text(
        1,
        0,
        "Resistência do Concreto\nFora de Controle",
        fontsize=14,
        va='center',
        ha='left',
        weight='bold'
    )

    # =========================
    # AJUSTES VISUAIS
    # =========================

    ax.set_xlim([-13, 3])
    ax.set_ylim([-4, 4])

    ax.axis('off')

    plt.title("Diagrama de Ishikawa - CEP do Concreto", fontsize=14)

    plt.show()


plot_ishikawa_optimized()
../../../_images/db7ddade72e4e0907460ec2fe52c1d61787784edf3d8c851f846495b90b27339.png

Ações Corretivas e Preventivas#

O gerente de projeto, ao identificar as causas da falha, deve aplicar as seguintes ações de correção e prevenção:

  • Correção Imediata:

    • Verificar os pontos de controle de qualidade e equipamentos de medição. Garantir que as medições de resistência sejam precisas.

    • Se necessário, ajustar a mistura de concreto para garantir que a resistência esteja dentro dos limites esperados.

  • Ações Preventivas:

    • Treinamento contínuo para a equipe sobre as práticas de controle de qualidade.

    • Auditorias periódicas nos processos de produção e medição para garantir que o processo esteja sempre sob controle.

    • Melhoria contínua no processo, utilizando dados de monitoramento para ajustar e otimizar os parâmetros de produção.


Após a análise com o Diagrama de Causa e Efeito (Ishikawa), é possível aprofundar a investigação utilizando outras técnicas clássicas de controle de qualidade, como a Análise de Pareto e formulários estruturados de análise de causa.

Técnicas de Controle de Qualidade#

1. Análise de Pareto#

A Análise de Pareto baseia-se no princípio 80/20, segundo o qual uma pequena parcela das causas é responsável pela maior parte dos problemas. No contexto do gráfico de CEP apresentado, os pontos fora de controle representam ocorrências associadas a causas especiais, que podem ser classificadas conforme as categorias identificadas no diagrama de Ishikawa (erro humano, equipamento, mistura e controle de qualidade).

O objetivo da análise é identificar quais categorias contribuem mais frequentemente para as anomalias observadas no processo.

Como aplicar no contexto do exemplo:

  • Classificar cada ocorrência fora de controle em uma categoria de causa (com base no Ishikawa).

  • Contabilizar a frequência de cada tipo de causa.

  • Ordenar as causas da mais frequente para a menos frequente.

  • Calcular o percentual acumulado para identificar as causas prioritárias.

Dessa forma, o gerente de projeto pode concentrar esforços nas causas com maior impacto, otimizando ações corretivas e preventivas.

import numpy as np
import pandas as pd
import matplotlib.pyplot as plt

np.random.seed(42)

# =========================
# DADOS SIMULADOS
# =========================

causas = [
    "Erro Humano",
    "Equipamento de Medição",
    "Mistura de Concreto",
    "Controle de Qualidade"
]

n_ocorrencias = 40

dados_causas = np.random.choice(
    causas,
    size=n_ocorrencias,
    p=[0.35, 0.15, 0.30, 0.20]
)

df = pd.DataFrame({'Causa': dados_causas})

frequencia = df['Causa'].value_counts().sort_values(ascending=False)
percentual = frequencia / frequencia.sum() * 100
percentual_acumulado = percentual.cumsum()

# =========================
# GRÁFICO DE PARETO
# =========================

fig, ax1 = plt.subplots(figsize=(10, 6))

# Barras (cor neutra)
frequencia.plot(
    kind='bar',
    ax=ax1,
    color='lightgray',          # cor distinta da linha
    edgecolor='black'           # contorno para melhor leitura
)

ax1.set_ylabel('Frequência')
ax1.set_xlabel('Causas')

# Linha acumulada (cor contrastante)
ax2 = ax1.twinx()
ax2.plot(
    percentual_acumulado.values,
    marker='o',
    linewidth=2,
    color='red',                # cor forte para destaque
    label='Percentual Acumulado'
)

ax2.set_ylabel('Percentual Acumulado (%)')
ax2.set_ylim(0, 100)

# Linha de referência 80%
ax2.axhline(
    80,
    linestyle='--',
    color='blue',               # terceira cor (referência)
    linewidth=1.5,
    label='80%'
)

# Legenda combinada
lines_1, labels_1 = ax1.get_legend_handles_labels()
lines_2, labels_2 = ax2.get_legend_handles_labels()

ax2.legend(lines_1 + lines_2, labels_1 + labels_2, loc='lower right')

plt.title('Análise de Pareto - Causas de Falhas no Processo de Concreto')

plt.show()
../../../_images/1a7822ec5a81e70ed0dc7dba726f112fd3d3dc4dda50e7ca71a79b0603375f06.png

2. Formulários de Análise de Causa (FMEA - Failure Mode and Effect Analysis)#

O FMEA (Análise de Modos de Falha e Efeitos) é uma técnica estruturada de análise de risco utilizada para identificar possíveis modos de falha, suas causas e os impactos no produto ou processo. No contexto do controle de qualidade do concreto, o FMEA complementa o CEP e o Ishikawa ao permitir priorizar riscos antes que ocorram falhas reais.

Aplicação no contexto do exemplo:

  • Os pontos fora de controle identificados no gráfico de CEP indicam possíveis falhas.

  • O FMEA permite antecipar essas falhas, classificando-as por criticidade.

  • As causas utilizadas podem ser diretamente derivadas do Diagrama de Ishikawa.

Exemplo de FMEA para o processo de concreto:

Modo de Falha

Causa Potencial

Efeito

Severidade (S)

Ocorrência (O)

Detecção (D)

RPN (S×O×D)

Resistência abaixo do esperado

Proporção incorreta de materiais

Estrutura comprometida

9

7

4

252

Resistência acima do esperado

Mistura desbalanceada

Fissuração / comportamento rígido

8

5

5

200

Medição incorreta

Equipamento descalibrado

Decisões baseadas em dados inválidos

7

4

6

168

Cálculo do RPN (Risk Priority Number):

  • O RPN = Severidade × Ocorrência × Detecção

  • Intervalo: 1 a 1000

  • Quanto maior o RPN, maior a prioridade de ação

Interpretação:

  • O modo de falha com maior RPN deve ser tratado primeiro

  • Permite priorizar ações corretivas de forma objetiva

  • Deve ser revisado continuamente conforme novos dados do CEP


3. Outras Técnicas de Controle de Processo (SPC)#

O Statistical Process Control (SPC) é uma abordagem abrangente que utiliza métodos estatísticos para monitorar e controlar processos. O gráfico de controle apresentado anteriormente é uma das principais ferramentas do SPC.

No caso do concreto, o SPC permite:

  • Monitorar a resistência ao longo do tempo

  • Detectar causas especiais (fora de controle)

  • Manter o processo estável e previsível


Índice de Capacidade do Processo (CPK)#

O CPK mede a capacidade do processo em atender aos limites de especificação definidos pelo cliente.

Fórmula:

[ CPK = \min \left( \frac{USL - \mu}{3\sigma}, \frac{\mu - LSL}{3\sigma} \right) ]

Onde:

  • USL = Limite Superior de Especificação

  • LSL = Limite Inferior de Especificação

  • μ = média do processo

  • σ = desvio padrão

Interpretação:

  • CPK < 1,0 → Processo incapaz

  • CPK ≈ 1,0 → Processo marginal

  • CPK ≥ 1,33 → Processo capaz

  • CPK ≥ 1,67 → Processo altamente capaz

Observação importante:

  • O CPK só é válido quando o processo está estatisticamente sob controle (verificado pelo CEP).

  • Caso existam muitos pontos fora de controle (como no exemplo com causas especiais), o cálculo do CPK pode não ser confiável.


Integração das Técnicas#

  • CEP → Detecta quando o processo sai de controle

  • Ishikawa → Estrutura possíveis causas

  • Pareto → Prioriza as causas mais frequentes

  • FMEA → Prioriza os riscos mais críticos

  • CPK → Avalia a capacidade do processo

Essas ferramentas devem ser utilizadas de forma integrada para garantir qualidade e estabilidade no processo de produção do concreto.

CPK - Exemplo

# Parâmetros do processo (já estabilizado via CEP)
media = 30
desvio_padrao = 2

# Limites de especificação (engenharia)
LSL = 25
USL = 40

# Cálculo do CPK
cpk = min(
    (USL - media) / (3 * desvio_padrao),
    (media - LSL) / (3 * desvio_padrao)
)

print("CPK:", round(cpk, 3))
CPK: 0.833

Interpretação do CPK no Exemplo

No cálculo apresentado, foram utilizados limites de especificação (LSL e USL), que representam os requisitos definidos pelo projeto ou pelo cliente — e não os limites de controle do CEP.

  • LSL (25 MPa): resistência mínima aceitável

  • USL (40 MPa): resistência máxima tolerada

O CPK avalia o quanto o processo está centrado e ajustado dentro desses limites. Ele considera o pior caso (lado mais crítico):

[ CPK = \min \left( \frac{USL - \mu}{3\sigma}, \frac{\mu - LSL}{3\sigma} \right) ]

No exemplo:

  • Distância até o limite superior: ( (40 - 30) / 6 = 1{,}67 )

  • Distância até o limite inferior: ( (30 - 25) / 6 = 0{,}83 )

Assim:

[ CPK = 0{,}83 ]

Interpretação:

  • O processo está mais próximo do limite inferior (LSL)

  • Existe maior risco de produzir concreto com resistência abaixo do mínimo exigido

  • Portanto, o processo é considerado não capaz (CPK < 1,33), mesmo estando estável

Conclusão:
O problema não está apenas na variabilidade, mas no deslocamento da média em direção ao limite inferior, sendo necessário ajustar o processo (centralizar ou reduzir variabilidade).

Ações de Correção e Melhoria#

Com base nas análises realizadas (CEP, Ishikawa, Pareto e FMEA), o gerente de projeto deve adotar uma abordagem estruturada para correção e melhoria do processo:

  1. Identificação das Causas Prioritárias

    • Utilizar a Análise de Pareto para determinar quais categorias de causa (ex.: mistura de concreto, erro humano) concentram a maior parte das ocorrências fora de controle.

    • Priorizar intervenções nas causas com maior impacto quantitativo no processo.

  2. Investigação e Tratamento de Causas Especiais

    • A partir do CEP, analisar especificamente os pontos fora de controle identificados.

    • Utilizar o Diagrama de Ishikawa para estruturar a investigação e evitar análises superficiais.

    • Confirmar as causas com evidências operacionais (registros de produção, ensaios, condições de execução).

  3. Implementação de Ações Corretivas

    • Corrigir diretamente as causas identificadas:

      • Ajuste da dosagem e controle da relação água/cimento.

      • Padronização do processo de mistura e cura.

      • Calibração de equipamentos de ensaio.

      • Treinamento operacional da equipe.

    • Garantir que as ações sejam documentadas e rastreáveis.

  4. Prevenção e Gestão de Riscos

    • Aplicar o FMEA para antecipar falhas potenciais antes que ocorram.

    • Priorizar ações com base no RPN (Risk Priority Number).

    • Implementar controles preventivos (checklists, planos de inspeção, validação de insumos).

  5. Monitoramento Contínuo do Processo

    • Utilizar CEP (SPC) para acompanhar a estabilidade do processo ao longo do tempo.

    • Atualizar continuamente os gráficos de controle e verificar a ausência de causas especiais.

    • Somente após a estabilização, avaliar a capacidade do processo (CPK).

  6. Avaliação da Capacidade do Processo

    • Calcular o CPK apenas quando o processo estiver sob controle estatístico.

    • Verificar se o processo atende aos limites de especificação do cliente.

    • Caso o CPK seja insuficiente, promover melhorias estruturais no processo (não apenas correções pontuais).


Conclusão#

A integração das ferramentas de qualidade permite uma abordagem completa para gestão do processo:

  • CEP → Detecta desvios e instabilidade

  • Ishikawa → Estrutura a análise de causas

  • Pareto → Prioriza esforços

  • FMEA → Antecipação e gestão de riscos

  • CPK → Avalia a capacidade do processo

Ao aplicar essas técnicas de forma integrada, o gerente de projeto consegue não apenas corrigir falhas pontuais, mas também aumentar a robustez, previsibilidade e capacidade do processo, assegurando que a resistência do concreto atenda consistentemente aos requisitos de projeto e às condições de segurança exigidas.